O Homem das Cavernas

A pré-história não deveria ser considerada como qualquer outro período histórico, assim como a Idade Média ou até mesmo a Antiguidade. A começar pelo fato de que alguém um dia olhou para tudo aquilo e o denominou de pré-história, ou antes da História, justamente por não haver quase nada que se poderia concluir sobre os eventos ocorridos antes da antiguidade.

O que nós chamamos de homens das cavernas, viveram nesse período chamado de pré-história. Nós os chamamos assim por causa de vestígios de pinturas que foram encontrados em cavernas e consideramos terem sido feitas por homens que talvez pudessem morar nessas cavernas.

representação de um desenho rupestre

Até aqui não vejo problema algum com essa situação. O problema começa quando fazem o seguinte, pegam esses desenhos e outras pouquíssimas coisas deixadas por esses homens através do tempo e fazem suposições, do meu ponto de vista, errôneas sobre esses homens.

O que afirmam do homem das cavernas é que ele possuía um pedaço enorme de madeira, que ele batia em sua mulher com esse porrete e que a sua mulher possuía cabelos longos e fortes para que ele os pudesse puxar. Alguns acadêmicos chegam até mesmo a afirmar que esse homem das cavernas não tinha religião alguma pois os desenhos que ele deixou não possuíam características religiosas.

O problema dessas afirmações é que elas não tem fundamento algum, pois aquilo que sabemos do homem das cavernas na verdade pende para um lado muito diferente daquilo que normalmente pensamos.

O homem das cavernas é muito mais parecido conosco do que muitos de nós gostaria de aceitar. Ele no mínimo é um artista. Há desenhos em cavernas super antigos que demonstram que o homem que os desenhou estava tentando capturar o movimento dos animais ao se mover. Outra suposição que se pode tirar é que ele era uma espécie de biólogo que observava os animais no seu habitat natural e depois os desenhava para ajudá-lo no seu estudo.

A caverna poderia ser uma creche onde o homem das cavernas ensinava as suas crianças sobre os animais que haviam ali por perto. Não me é difícil imaginar crianças da pré-história encostando naqueles desenhos e imaginando alguma brincadeira com eles. E não é difícil de imaginar isso sobre crianças da pré-história porque não é difícil de imaginar isso de crianças de hoje em dia. Porque as crianças daquela época e de hoje, para mim, continuam iguais.

O motivo pelo qual eu acredito que alguns acadêmicos tirem essas conclusões sobre o homem das cavernas, é que nós seres humanos de hoje desejamos nos sentir superiores a qualquer outro ser que viveu antes de nós, como também desejamos nos sentir superiores daqueles que vivem na mesma época que nós. E para mim, a ideia errônea que tiram do homem das cavernas é justamente a vontade de confirmar a nossa evolução comparada a esse ser que viveu a mais de quatro mil anos atrás.

Afirmam que ele não tinha religião apenas para afirmarem que a religião foi provocada pelo medo, pelos sonhos, por causa da chuva para a plantação e de outros motivos que confirmem a ideia de que a religião cresceu de modo muito lento e evolucionário. Eu apenas acredito que o sentimento religioso ( o sentimento original da palavra que é do ser humano buscar se religar com algum ser supremo ) é um sentimento que nasce ao mesmo tempo que nasce o ser humano que conhecemos hoje.

Esse tópico para mim é muito importante para mostrar, entre outras coisas, a importância da cosmovisão de um ser humano e como isso influencia a sua vida e suas decisões. Se você desejar se aprofundar mais no assunto leia a obra de G.K. Chesterton, O homem eterno.

Agora cabe a você tirar suas próprias conclusões sobre o homem das cavernas.

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12 responses to “O Homem das Cavernas

  • isabela

    Muito legal. A cosmovisão está relacionada mais ao pathos ou ao ethos? Haha, deu pra entender a pergunta?

    • augustoze

      Eu acredito que o seu ethos, a cultura que você nasceu, pode ter uma cosmovisão própria que você recebe como herança mas acho que nada te impede de mudar a sua cosmovisão. Ai ja seria algo seu, um pathos. Porém eu não sei se é correto falar dessa maneira.
      Linda. =)

  • Cauê

    Conversar com você, poder aprender e crescer com as suas idéias e discernimentos é sempre muito bom para mim, e como isso acaba não sendo possível com tanta frequência, acompanhar suas palavras e suas idéias por aqui será sensacional!!


  • Bom ler “verbalizado” essa relação de igualdade. As características inatas do ser humano o acompanham desde que existe o ser humano. Características genéticas. Tem um livro que chama “O Gene egoísta” que diz bem isso. Concordam que sejam iguais. Nesse sentido.

    Sobre a religiosidade, acho que tudo é um grande jogo de palavras que acabam por confundir todo mundo. Religião é diferente de espiritualidade. Sei que religião, como sabemos hoje, não sei se eles tinham, mas espiritualidade, provavelmente sim.

    Tem um cara, chamado Osho, que diz que as religiões são as marcas, as etiquetas de Deus. A espiritualidade é que determina sua ligação com a origem. E isso, todos os seres pensantes tem.

    Lógico que não com essas palavras mas é isso que eu entendi de um dos textos dele. Acho que diz muito sobre tudo isso.

    Bom, vou dormir.
    Te amo.

    • augustoze

      O Richard Dawkins, autor de O Gene egoísta, é totalmente contra a ideia que eu coloquei no blog. Na realidade ele é um dos que eu critico ao falar dos acadêmicos. Ele é biólogo e defende a ideia de que a religão se formou de maneira lenta e evolutiva no ser humano.
      O meu comentário no post sobre religião foi sobre o fato de eu acreditar que a religião, a busca por um Deus ou vários, não é algo que veio com o tempo por causa de razões como o medo, e sim nasce junto com o ser humano da maneira que conhecemos hoje e que somos.
      Só para deixar claro que a minha discussão é essa, agora outras coisas podem ser discutidas depois.

      Obrigado pelo comentário, acho que ele ajuda bastante.
      Beijão

  • pe

    Achei importante a idéia de que o sentimento de falta, a vontade de se religar ao ser supremo nasce junto com o homem. Ou seja, isso exclui qualquer fator econômico, histórico ou social. Nos sentimos desconectados de Deus e o buscamos…
    Nunca tinha parado pra pensar na pré-história! Bom texto, amigo!

  • filomena de castro prada cenedesi

    Gostei bastante desse texto,ainda refletindo sobre o assunto,pois confesso que leveu um susto assim que vi o tema……..
    bjinhossss

  • Renata

    Fala Zé… gostei muito desse post, mas confesso que o primeiro foi mais genial na minha percepção. Hum, acho que você erigiu uma concepção jornalística, indubitavelmente crítica, contudo generalista… por exemplo um historiador não usaria o termo “homem da caverna”, sua acepção pode ser vasta e simplista, entretanto não quero indicar que com isso você tenha sido leviano, apenas acredito que nós historiadores devemos ter cuidado com nomenclaturas mais universalistas e que levem a idéia de um passado monolítico. Tirando essa crítica mais teórica… acho que é muito legítima sua inflexão, realmente é uma tendência (prepotência) humana inferiorizar o outro, o mais fraco… ou nesse caso ter uma idéia de progresso iluminista onde fatalmente os homens quanto mais distante temporalmente de nós mais “primitivos”.
    Outro ponto que achei muito feliz na sua colocação, foi o que se refere às teorias, ou melhor hipóteses, acerca do perído que antecedeu a escrita… ora, foi examente a falta de tal fonte, escrita, que abriu os estudos para chutes e interpretações na sua maioria escrotas (como você muito bem evidenciou)… o fato que temos que encarar com tudo isso é o de que as limitações metodológicas de tal campo são grandes e a imaginação dos homens também.
    Parabéns Zé…. seu blog está muito legal!

    • augustoze

      No máximo eu poderia chamá-lo de pré-histórico, pois qualquer coisa além disso considero prepotência.
      Gostei mais desse comentário do que do ultimo!
      Valeu pelo apoio.

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